sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vera

Quando Vera me perguntava em que estação estávamos
Eu lhe lembrava que morávamos no Brasil;

Volta meia ela também citava que a maioria dos deuses
Jamais tirou seu pé da Terra firme;

Certo dia extendeu um cartaz na traseira da Kombi
Com os dizeres:
"Pernas finas também amam!"
E abriu desfile pela cidade
Virou bloco e marcha de carnaval;

Cada vez que Vera me perguntava como eu me chamava
Eu inventava um novo nome;

Assim se vivia a vida naqueles tempos: sem pretensão de viver ou ser importante. Ou de fazer do desespero cotidiano algum poema, ou prosa ou conto. Embora a diferença entre poema ou prosa ou conto, segundo Vera, é só uma questão de parágrafo ou não parágrafo. De ponto-vírgula em lugar de reticência.



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