Você tem 21 dias para começar a me amar mais; e não porque será o apocalipse Maia dentro desta data; nem porque estou condenado a morrer de câncer; nem que eu tenha taquicardia, diabetes, leucemia, ou quaisquer outras chagas; não porque eu gosto de gengibre e você também; ou pão de queijo; ou sorvete de tapioca -sim, definitivamente, nem mesmo por isso; ou porque costumamos, nós, acertar a previsão do tempo independentemente dos magos de metereologia; nem que eu esteja carente ou acredite que você esteja; tãopouco estou apressado a me entregar a monogamia conjugal consigo: não quero você nem acredito que te faria bem e, consequentemente, não estou interessado em intercursos sexuais com sua pessoa nalguma dessas pouco mais de cinco mil horas que nos restam conforme prazo estipulado (- não que eu duvide que eu, uma vez engajado na tarefa, fosse deixá-la insatisfeita); nem que eu tenha visto você em alguma nuvem agora cedo; nem que eu seja desses que saibam voar; nem que eu te ache com cara de paraquedas; ou parabrisas; embora eu ouça um naipe de sopros composto de flauta, fagote, trompete, trompa, sax, trombone e tuba além de serafins em coro ao pé do ouvido em trilha sonora cada vez que eu escuto seu nome; embora eu minta; embora eu cruze os dedos; não que eu seja à qualquer hora; fí-lo porque quí-lo; não que orbitemos em torno do mesmo astro ou que sejamos ambos atraídos em torno do mesmo buraco negro supermassivo; nem que compartilhemos dos Mutantes como banda favorita; ou de Kubrick enquanto cineasta; ou de Bansky como artista plástico; ou que ambas nossas mães tenham nos traumatizado, durante a infância, à música e pessoa física de Roberto Carlos; nem que nós dois estejamos usando verde hoje e que troquemos conselhos de moda e estética; nem que estejamos prestes a presenciar a primeira invasão zumbi da humanidade; ou em caso hipotético no qual zumbis não estivessem em voga como estão e fôssemos, ao invés, abduzidos e experimentados por seres extraterrestres e estes nos introduzissem em suas artes próprias artes da libido - de fato, não é o caso; nem que eu saiba do que eu esteja falando ou que eu acredite que você saiba, geralmente; nem que eu espere que você goste de poesia ou de ler qualquer modalidade literária; menos ainda que eu necessariamente te subestime em tais assuntos, sendo este ponto apenas uma referência à minha indiferença à tentativas de cortejo intelectualizadas por recursos artísticos; nem porque eu espere uma resposta criativa à esta carta a qual lhe endereço, muito embora você tenha a total liberdade e meu interesse em redigir e me enviar uma reação sua; à este ou algum outro assunto que lhe vier à mente e vontade de dissertar a respeito.
Você tem 21 dias para começar a conjugar o verbo porque eu esqueci totalmente porque você devia me arfar mais. Rimas ocorridas no percurso foram acidentais.

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