Na velocidade newtoniana da mecânica clássica o ar que você expira me entra pulmão a fora. Na velocidade da luz apago a luz e quem é você pra reclamar do escuro. Na velocidade do som o som do sim que digo soa largo que você escuta e faz depois um eco engraçado pela vizinhança. Na velocidade angular média eu pego o seu "não" e construo uma torre. Na velocidade do tempo eu sigo o relógio mas ele insiste em se atrasar quando tenho pressa e em se apressar quando eu quero é calma. Na velocidade do tempo eu lhe peço tempo quando precisamos mesmo é de silêncio. Porque no silêncio absoluto nada está correndo. Exceto em níveis subatômicos. O tempo não é o mesmo aqui pra gente no quarto na beira da sua cama ou no centro de um buraco negro ou pro mosquito fazendo o banquete suas costas. Se nos movêssemos à velocidade da luz o tempo também não seria o mesmo que é agora pra gente e mesmo o agora duraria muito menos; a verdade é que todos nós respiramos devagar demais. Às vezes acho que estamos definitivamente mais perto um do outro do que antes estávamos. Mas quando penso que a nossa distância é equivalente a do Rio de Janeiro à Tóquio se compararmos com a distância da Terra à Estrela HE 1523-0901 (que além de ficar à 7500 anos luz, daqui a pouco nem Estrela é mais), desanimo de pensar nisso. Parece que tudo é relativo nessa vida. Exceto o som d'eu gritando a palavra "CLARICE" pela janela, em caixa alta, acordando os cachorros. Esse vai chegar até seus ouvidos à cerca de 350 metros por segundo. Assim como o dia vai bater em seu rosto à 8 minutos e 20 segundos depois de ter saído do Sol. Supondo que você estará fora de casa de manhã cedo. E, claro, isso dentro das expectativas apontadas pela Física Moderna.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário