sábado, 5 de janeiro de 2013

Canção Paroxítona

Ela disse: "Domingo depende do Sábado; se se vai dormir, se é que se vai dormir; a hora que se levanta, se se levanta diabo; se é que se levanta Sábado. Depende também naturalmente da Sexta, da Feira, do moço, e da moça, do Leite, do quanto do leite sobrou, se é que sobrou. Depende. Se se é outro e se faz do mesmo. Ou se é um ato outro de uma coisa que não se faz ideia. Se se leva acento em "ideia". Se se justifica um abraço com um tiro. Se se quebra o seu dente com pedra ou com garfo; se está sujo seu dente. Se você acredita em duendes, depende; se se fica de quatro no meio do mato, se sobra comida no prato. Contente?"

Aí eu disse: "Depende, depende também quanto tanto você vai ficar aí parada; relativamente estátua, visto que o tempo e a terra se deslocam; e, tecnicamente, mesmo aqui, varanda, com a barriga pra diagonal, estamos a esmo espaço fora indo pro brejo sideral; se é que ainda existam brejos; depende também a Segunda, a Feira, se se cantar na rua ou xingar o vizinho; se é que ainda existam vizinhos; depende isso tudo da Lua, daquela canção, do quanto de Vinho sobrou, se é que ainda temos. Depende isso do seu beijo, depende, digo; em mim, a mim, pra mim, pra eu beijar, entende? Se é que ainda existam beijos; presente."


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