segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Parece Valsa

Você me jura o contrário mas eu sonho colorido, a despeito dos mitos, do que o povo diz, contrariando as ciências, a neurologia, a psiquiatria. Eu sonho à cores, a cor do verde, rosa, 'marelo. Os dias bem que tentam o tom de cinza em baldes de tinta preta ou gasolina diluída n'água quando piso na poça e me molha o sapato mas eu ponho o riso como se põe o sol e, aliás, já te falei do sol? que quase crepúsculo pinta seu rosto em azul, então laranja, então púrpura, se é que isso é púrpura, então escuro, então noitinha, já te falei do céu? que já acordei num descampado há 200 km da cidade e pela primeira vez na vida vi uma estrela cadente (que na verdade são só cometas). Parecia uma cena de filme da Sessão da Tarde, fiz um pedido se que realizou pois, como disse, acordei num descampado, já te falei do sol? de quando quase Ícaro fiz asas de papelão recortadas com tesoura sem ponta, o tal do Ícaro que só conheço por uma canção de heavy metal, e que isso era uma metáfora simples de quando perdi o medo de avião? Você me diz que já se engasgou com nuvens e eu te acredito, embora você duvide quando eu juro que sonho em Technicolor, como uma película da década de 30, como aqueles primeiros longas da Walt Disney. Waltz. Duvida quando juro que quando o ônibus parou no sinal na Cinelândia entrou uma borboleta pela janela e me pousou na mochila porque nunca mais vimos borboletas no centro da cidade. Você diz que devia ser uma mariposa como se isso fosse milagre menor. Hoje eu penso bem e apesar das más línguas, apesar, apesar de dizerem que eu devia passar batom preto pra disfarçar as feridas nos lábios, fico quieto e me contento com o verde, pois cicatrizes e esperança me caem bem.

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