terça-feira, 21 de maio de 2013

Duas Luas

O meu amor tem uma cor que é só sua
Que é cor nenhuma
O meu amor sofre de hipoglecemia
E ainda bebe café sem açúcar
Ainda acredita na Lua
E nas Marés
O meu amor mistura catuaba com vodka
E não tem calos nos pés
A voz do meu amor me corta
Como a tesoura sem ponta a cartolina
Dorme bem tarde e ronca
Baba aqui como se eu fosse sua fronha
O meu amor tem crenças tão estranhas
Que até o Deus que deu seu papel título
Duvida ser verdade
O meu amor acredita em eternidade
E me promete que nosso amor irá durar
Um pouco antes o fim da Sessão da Tarde
O meu amor não sabe voar
Mas se compõe de nuvens
Evita a luz como o arco íris evitaria
Se já não tivesse estado o prisma
O meu amor detesta poesia
Mas se apaixona e cisma
Evita intimidades com Internet ou celular
Pediu pra eu baixar outro dia
Um jeito outro de abraçar
Puxei a tomada e achei debaixo da cama
Um beijo ou dois pedindo banho
Sabão passado, torneira aberta
O universo e o seu tamanho
Rachamos os beijos como dava
E levamos o resto pra viagem
Enquanto descobríamos o caminho
Deciframos física quântica
Dos infernos que passamos
Evitamos fazer contas
O meu amor não me jura fidelidade
E nem eu garanto muito mais
Que um copo d'água
Saudade
Chimarrão, de vez em quando
Duas luas de Netuno
Prometo rimas, quando der
Conforme a idade
E o que mais couber na pochete
O meu amor tem me feito dor e é só meu
Dela é o tanto de saliva que eu deixo
Nos panos dos vestidos que eu vejo
Nos cantos e pescoços que eu cheiro
Enquanto ela toma banho com os seus sais
Consigo e ponto e isso.
Comigo é um sorriso
O cheiro do perfume, que a estranha ao lado veste, que faço de conta o seu
Enquanto o outro lado da rua ali
Não vira o lado da rua em mim.

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