O medo costurado; remendo menos, mais machucado.
O medo eu tenho sim mas o que que sou pra repetir o acerto.
Que pra tanto temer a pressa, o trabalho, a obrigação, o prazer, a goteira, o inseto mesmo após de morto.
Que é você para me ler-repreender a próclise, a dúvida, a métrica, a vírgula, a ética, o êxito.
Que medo faz pra escrever quem não larga o dicionário; que curva a curva faz e evita o óbvio; medo do completo, do concreto, do pronome pessoal do caso reto; do repente de não se ter assunto; de cavar o quintal e achar defunto; do Sol explodir antes do prazo.
Medo do ponto parágrafo.
Seu medo aqui na boca ainda me fazendo cicatriz.
Quem sangra quem primeiro? era o meu medo quem não fiz.

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