terça-feira, 16 de dezembro de 2014

24 Versos

Aproveitando a ocasião para me auto-esclarecer alguns pensamentos conclui que; Amo-a, e falo aqui do amor imaterial por uma fictícia órfã que lhe cativa em uma película de sessão da tarde, como quem contempla o próprio vazio do estômago. Amo-a também porque sou a maçã mordida e ela pouco se importa com as intactas. Quero-a pronta, e falo da prontidão de se estar de pé e firme quando vem uma ventania arrastando um piano um sua direção, que grande pena que ser um piano, mas é, e é preciso se estar pronto pois a única saída é se esquivar e continuar de encontro ao vento; Quero-a pronta no desespero nobre de arrumar sua casa às vésperas de uma visita importante, de aparar uma bala mesmo que ela venha inesperada porque definitivamente agora hora ali não era o momento apropriado para parar e morrer. Quero-a, e este querer se configura no contrário do desejar estúpido de que aquela estante que nem lhe pertence seja mais curta para que lhe alcance o topo; Quero-a ágil quão rápido a flecha mal disparada do cupido sagitário puder desviar seu rumo e lhe atravessar, ao invés, uma avenida inteira.

Enxergo-a do alto do meu astigmatismo já corrigido pelas ciências especializadas; Como as vitrines que protagonizam as ruas, quero-lhe o protagonismo e os enfeitos que existem nas mais magníficas vitrines nas vésperas dos Natais, digo, quero-lhe o protagonismo sobretudo nas ruas belas e ladrinhadas e semi-desconhecidas do Centro da cidade, onde ainda encontramos a raridade de senhoras e famílias passeando e jovens introspectivos apertando seus cigarros e doces enquanto ouvem a própria trilha sonora; protagonista que mesmo quando de madrugada, mesmo os embriagados safos cortando caminho ou apenas os perdidos vindos do bar lhe sejam só olhos, porque, pasmem, aquela vitrine tão protagoniza que na verdade tem voz e se mexe e está correndo atrás de suas almas; quero-lhe o protagonismo, o estrelato e o espanto deste tipo de audiência, e todo outro que você provavelmente ainda quererá. Embora seja ingênuo desejá-lo, eu quero, ou melhor, gostaria, que apenas lhe fitassem os cães cuja fome sincera e sem ódio se expressa na saliva e olhar.  

Nota-a do repente ainda desconhecido de seus terremotos que quero; Como e quando me chama com a chama e a periodicidade dos cometas milenares descobertos por astrônomos cujo qualquer átomo já esteja diluído pela terra ou mar. Como me aparece nesta explosão desta tarde cujo arco íris rasura o céu dos desatentos. Nem sei porque merece meu atento ou intento, só sei que sim, e que mesmo seu silêncio me satisfaz muito contudo prefira eu a festa. Corro para vê-la e o sinal dos carros se abre como se pressa me faltasse para lhe ver, e o que acontece é que este se equivoca! É que aqui nada de bom falta: só falta ela, o meu bem.

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