domingo, 14 de dezembro de 2014

Dois Finados

Muita calma nessa hora quando a arma a cabeça explode
e o ar quente desce o pescoço
fervendo metal e quente o corpo
pela última vez a caixa torácica se abre
e a última voz sai até mais grave
no suspiro curto do morto
pelo calor explodido da cuca
sua garganta barítona sua e seca
calma que a premissa é esta
a canção de uma nota só
sai baixa e dolorida
pra compensar do desastre a festa
do cupido a ferida.

Calma que morreu, está aqui, está morto
não adianta outro morrer de novo que esse barco já saiu do porto
nem correr, que o despertador tocou há meia hora atrás
atardado, que cruz se afeita mais?

Porque não importa um grão de areia
na velocidade do luz
furando o muro
a sorte afiada causando na veia um furo
porque hipótese científica ou catastrófica nenhuma vai compensar a frustração
menos ainda importa o som do sim, do talvez ou do não
que só se sara a carne quando a carne é viva
rima nenhuma indeniza a vida
ou a porta que não se abriu
Serenidade, viu?
Que por um ou mais bilhão de anos ainda gira o mundo:
sem pressa.
Morreu? Respira fundo
aproveita que se decompor é bonito à beça.

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