quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Histeria

A cor da primavera eu sei de cor
Sobretudo nas tardes de Verão quando ela já passou
Eu sei
Apesar dos neurologistas jurarem que sonhamos em preto e branco
Eu sei.

Queimado de Sol, estendido no varal com os demais corpos lavados, observo,
Junto das outras cores que por acaso decorei,
Que se o Sol brilhasse um pouco mais escuro a cor já seria outra.
Invenção estranha essa da nossa cabeça,
Mania esquisita essa de dar cor as coisas!

Eu sei de cor o som que faz quando a primavera cai
Dando espaço ao calor, à tempestade, ao desespero veraneio
Que a andorinha, acompanhada pela multidão de seus iguais, decreta e faz
E os demais daltônicos animais enxergam a cor de que precisam
E sequer dão por falta disso
E sobrevivem muito bem, obrigado
E fazem piadas secretas aos ouvidos nossos sobre esses mamíferos que veem necessidade em tirar verso de algo trivial assim enquanto fatos importantes passam despercebidos!
Como o quão suculento é este inseto que saboreiam hoje.

Concluo, humildemente, que eu sei de cor a cor da primavera
Junto de outra meia dúzia de coisas que decorei ou aprendi nesta vida
E me vejo inútil como o dente de ciso encravado na boca que até nasceu mas nunca conseguiu morder sequer uma maçã
Eu sei
Apesar da minha fobia desesperada de saber pouco e mais do que preciso
Que eu sou apenas exagerado
E que ando precisando de um abraço.

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