Acordei de susto com uma arma enfiada na minha boca. Que calibre era? Sei lá que calibre, manjo disso não. Mesmo se manjasse, a arma tava apontada pra dentro da minha goela. Um maluco encapuzado me falando pra ficar quieta, quietinha, que se fosse boazinha ele não explodia minha cabeça. Que se eu ficasse saidinha a parede ia ficar toda suja de cérebro, meu cérebro. Como assim se eu conhecia o marmanjo? Tava de capuz! Não, a voz não era familiar não. Falou pra ficar quieta que eles iam passar uma geral na casa e já me liberavam. E eu contando até vinte e sete pra não gritar, sei lá porque vinte e sete, inventei na hora esse número. Não sei quantos eram, o cara que tava com a arma na minha boca mandou eu fechar os olhos porque senão ele enfiava um travesseiro na minha cara e ia ser muito pior, porque ele teria que sentar em cima e ele era pesado. Mas tavam fazendo um barulho do caralho. Sei lá de onde eram, o sotaque parecia ser do Rio mesmo. Não, meu senhor, não pareciam ser "favelados" não. Tem bebedouro aqui? Alguém me arruma um copo d'água, por favor.
Levaram a porra toda, eram dois carros, levaram a TV digital, que ainda tava pagando, o computador de mesa, ainda deixaram uns cabos pra trás, idiotas, o roteador... tá anotando? As duas câmeras fotográficas, o contrabaixo, que nem era meu, estava servindo de garagem pruma amiga. Aí foi o primeiro o carro, eu ouvi lá do portão, iam empacotar o segundo. O cara que tava com a arma na boca falou pro outro que ainda tava lá que queria dar umazinha comigo, pra ele ajudar a me segurar. Que merda isso, comecei a gritar, ele enfiou a arma mais pra dentro da garganta pra eu calar. Eu quase vomitei essa hora. O outro disse que só ia ajudar se me comesse também. Nessa hora eu vi que só tinham os dois porque o resto da casa ficou muito quieto. Iam terminar comigo e depois levar o ar condicionado. Como eles iam tirar, roubar e vender um troço velho daquele não faço ideia, imagina o trabalho. O outro veio me segurar os braços e eu percebi que era mais esperta que eles porque eu resolvi ficar quieta e esse outro achou que eu tava calma e só apoiou os meus ombros. Daí eu vi que dava pra fazer alguma coisa. O cara da arma colocou o trabuco na beira da cama e foi arrancando minha calcinha e eu resisti só um pouco pra não deixar na cara o que eu tava pensando em fazer. Como assim qual o meu CEP? Tu tá prestando atenção? Tá de brincadeira que não é sua jurisdição? Na boa, apaga tudo. Esquece.
Menina, delegacia é foda, ninguém quer te ajudar, cada um te empurra prum lado, é uma bosta. Pela diferença de uma quadra me jogaram pra uma DP que fica 3 quilômetros daqui, acredita? Não vou voltar, não vou abrir inquérito nenhum, não. Sei lá o que vou fazer com os corpos! Sexta-feira vou dar minha festa de despedida daqui e vou ter que tirar esses merdas do freezer. Posso deixar o carro deles no seu prédio mais uns dias? Quero aproveitar pra levar, vender, sei lá. Como tá aquele terrenozinho que fica atrás aí do campo, tá bem baldio ainda? Já falei que não vou me livrar dessa peixeira, foi herança da minha madrinha! Foda-se que é evidência.
Levaram a porra toda, eram dois carros, levaram a TV digital, que ainda tava pagando, o computador de mesa, ainda deixaram uns cabos pra trás, idiotas, o roteador... tá anotando? As duas câmeras fotográficas, o contrabaixo, que nem era meu, estava servindo de garagem pruma amiga. Aí foi o primeiro o carro, eu ouvi lá do portão, iam empacotar o segundo. O cara que tava com a arma na boca falou pro outro que ainda tava lá que queria dar umazinha comigo, pra ele ajudar a me segurar. Que merda isso, comecei a gritar, ele enfiou a arma mais pra dentro da garganta pra eu calar. Eu quase vomitei essa hora. O outro disse que só ia ajudar se me comesse também. Nessa hora eu vi que só tinham os dois porque o resto da casa ficou muito quieto. Iam terminar comigo e depois levar o ar condicionado. Como eles iam tirar, roubar e vender um troço velho daquele não faço ideia, imagina o trabalho. O outro veio me segurar os braços e eu percebi que era mais esperta que eles porque eu resolvi ficar quieta e esse outro achou que eu tava calma e só apoiou os meus ombros. Daí eu vi que dava pra fazer alguma coisa. O cara da arma colocou o trabuco na beira da cama e foi arrancando minha calcinha e eu resisti só um pouco pra não deixar na cara o que eu tava pensando em fazer. Como assim qual o meu CEP? Tu tá prestando atenção? Tá de brincadeira que não é sua jurisdição? Na boa, apaga tudo. Esquece.
Menina, delegacia é foda, ninguém quer te ajudar, cada um te empurra prum lado, é uma bosta. Pela diferença de uma quadra me jogaram pra uma DP que fica 3 quilômetros daqui, acredita? Não vou voltar, não vou abrir inquérito nenhum, não. Sei lá o que vou fazer com os corpos! Sexta-feira vou dar minha festa de despedida daqui e vou ter que tirar esses merdas do freezer. Posso deixar o carro deles no seu prédio mais uns dias? Quero aproveitar pra levar, vender, sei lá. Como tá aquele terrenozinho que fica atrás aí do campo, tá bem baldio ainda? Já falei que não vou me livrar dessa peixeira, foi herança da minha madrinha! Foda-se que é evidência.

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