Um pensamento magro
Uma confissão pequena
Que caiba em bolso, em frasco
Ou atrás da orelha esquerda
Saindo do armário em um sorriso
O ódio irracional entre os dentes
Só um preconceito discreto
Pra levar no peito, casualmente
Uma alegria:
A vontade tacanha de matar agonia, a fome, o chefe
O rosto virado num blefe
Soco na parede que queria ser beijo
A pequena cicatriz que memoriza o pescoço
Do dia que o medo perdeu pro desejo
Numa esquina empoeirada, um pó de riso
Terra a vista ou parcelada
Inconfundivelmente brasileiro
O bar que aceita vale-refeição
Pede a saideira, abraça a sexta-feira
Cumprimenta o garçom
Espirro a qualquer hora, alergia
A modesta vontade de rebeldia
Domesticada no contracheque de mesma magnitude
Mas no meio do vão dos dedos das mãos, quem diria?
Uns grãos de pólvora encontram uma faísca
E tomam uma atitude.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
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