segunda-feira, 5 de março de 2012

Vírgula

Deixa eu me lavar de vez. Ele goza, já vira pro lado, dorme, é um puto mesmo. Tem sorte que eu amo. Whatever, já tinha gozado duas vezes mesmo. Velho, não acredito que a pasta de dente já tá acabando, essa mania de comprar a mais barata que tem. As águas de março levando o verão uma ova, já é abril, a chuva não vem, essa cidade nunca esteve tão seca, tão quente. Batata frita ainda me salva a vida. Vegetariano sofre. Que mais tem pra fazer nesse muvuca? Vai ser um saco achar minha roupa no meio dessa bagunça, é guitarra, é tênis, é roupa suja, é mala inteira jogada espalhada, é livro, ainda bem que não é o que eu dei pra ele, senão ele ia tomar na cara, é chave, mp3, gravata, remédio, dvd, pandeiro... que raio de pandeiro é esse? Quer saber, esquece. Desisto. Porra, tô falando que nem minha mãe. Nunca liguei pra bagunça, mas ele é o cúmulo. Praticamente estou morando aqui também, preciso ver se Sophia precisa de ajuda no nosso cafofo, mas pra ela tanto faz também, trabalha direto, quando fica lá é só pra dormir. Deixa eu ver se tem ligação ou email dela. Nada. Lara, não me olha com essa cara, já botei sua comida. Escuta, vai fazer cocô no jornalzinho, né? Bom. Odeio suco de caju, ele adora, jogar isso fora. Estragou. Lara, já falei pra ir pra lá, não fiz carne, não tem carne, é só o cheiro do miojo. Preciso comer mais devagar, esse microondas velho, comprar um novo, esse miojo fica pronto nunca. Tá, chega, vou comer do jeito que tá. Pronto, agora vou pegar minha Heineken, o cigarro, o Sucrilhos de sobremesa. Preciso beber café também. Será que faz mal? Breakfest com janta, maravilha, preciso dar um jeito na minha vida. Precisamos fazer compras. Que horas são, tá cedo, relaxa, Isabela, vai dar tempo. Tenso é a Barra Funda agora de manhã. Olha que lindo ele, dormindo agora de barriga pra cima, chupando dedo. Da primeira vez que vi ele fazendo isso achei bizarro, mas agora é até fofo. Vou tirar uma foto. Não, deixa, ele me mata. Se pá ele nem sabe que faz isso. Tá cedo, mas já tá quente, que horas são? Não acredito! Abre essa janela, Lara. É madrugada ainda! Maldito relógio que atrasa a hora. Era pra eu estar em pé só daqui há 2 horas. Acordo ele pra uma rapidinha, fazemos, mas ele também nem se liga. Ah, dane-se, deixa eu ver a rua um pouco, não vou dormir, já bebi café. Misturei tudo que dava pra misturar, acho que vou ter dor de barriga ao longo do dia.

Minha mãe sempre dizia que eu dizia "não" demais, acho que ela tinha razão. Me vê mais um cigarro, a cerveja já esquentou, Lara, vem cá, fica quietinha, larga de ser fogueteira. Parece que você que bebeu cafeína. Sobe aqui, fica na grade. Isso. Olha que céu lindo, minha bebê. Pera, Tiago? Vai levantar? Não, esse puto só tem que acordar às dez. Trabalhar do lado de casa é fácil. Quero ver fazer tour pela cidade de segunda à sexta, além de faculdade. Não devia ter bebido tanto café com cerveja, minha cabeça tá doendo. Precisamos ver quando vamos ver papai no interior. Próximo feriado já dá, eu acho. Agora que lembrei que escovei dente antes de ter comido, lá vou escovar de novo, sem pasta, porque você não me lembrou disso, Lara? Brincadeira, amor. A rua, um mendigo ou dois, algumas pessoas voltando do trabalho, olha ali, o cara que vende sanduíche com café chega no ponto cedo assim? O sanduba de atum dele era até bom, mas agora não como carne. Isso me lembra que. Lara, olha, vê a lua no céu? O amor começa no chão. Dois pés, um na cozinha, outro no colchão. Tô falando demais que nem minha mãe hoje. Ela ia adorar saber que tô citando poema dela. Ela escrevia, sabia? Devia acertar a bateria desse celula. Devia falar menos vezes não. Cacofonia? Nem lembro o que é isso. O mundo ia ser melhor se tivesse gente que falasse mais sim do que não. Isso é uma letra de música do Lulu Santos, não é, Lara? Odeio Lulu Santos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário