Cheguei em casa hoje, nossa, absurdo, tinha que ver como tava a sala, tava cheia de sangue, espalhado, sim, espalhado pelo carpete novo, que ódio. Meu gato tava bebendo de uma das poças, daí eu peguei ele pelo pescoço, prendi no quarto pra que parasse de se sujar naquilo. Ficou lá dentro, reclamando, ele, todo branco, tava todo avermelhado, parecia uma oferenda pra Exu. Peguei balde, peguei pano, peguei rodo, nossa, e tava um fedor, sabe? Sabe aquele fedor de merda que você sente na rua? Então, isso com cheiro de sangue de porco, sei lá, tinha uma, um pouco de intestino, grosso ou delgado, nunca soube a diferença, fui juntando no balde, nojo, nojo, azar, vou ter que trocar metade do carpete, e quem vai pagar por isso? Eu? Não devia ter colocado essa joça, só me deu prejuízo. Fui limpando, abri as janelas pra passar o cheiro, percebi o último vestígio de corpo, uns dentes, 2 ou 3, uma marca de mordida, forte, no alumínio, raspei o resto lá pra baixo e só então pude ir tomar meu banho. Preciso de uma diarista nova.
E, você não imagina, sentei no quarto, banho tomado, cama arrumada, me viro pra tirar chinelo e encontro em cima da cabeceira uma penca de formiga! A essa altura, imagina minha cara de cansaço, cheia de olheira, boca rachada, essa febre que não tava passando por nada, ainda ter que limpar. Eu queria é dormir, esquecer a encheção de saco no escritório, o outro esporro que tomei do filho da puta do meu chefe, enfia os contracheques extraviados no rabo! E eu sei lá onde foi parar, pergunta pros correios, ora! Quer o relatório até o final da semana? Quer o meu cu também não, cheirosinho, apertadinho? Sabe como ele é. Também do raio da mãe da Catrina que morreu e ela fica me enchendo o saco falando, cara, ela morreu já faz 1 mês! Supera, sabe? Ou vai pagar um analista, porra. Qualquer dia desse corto a língua dela fora, aí vai poder reclamar. Recebo salário de fome pra isso não. A Sabrina, essa só fica com fone de ouvido e quem atura sou eu. Sabrina é outra, vaca, me devendo 50 reais desde mês passado, foda-se se você tá no Serasa, o problema não é meu. Vai dar pr'aquele teu ex-namorado que te endividou, vai? Vai querer mesmo pagar viagenzinha pra Buenos Aires, pra Calcutá, caralha a quatro. Aproveita e fica. Mas não me tira mais dinheiro. Daqui a pouco deve se endividar de novo e vir me pedir, sei lá, no próximo aborto que fizer, tem cara de que já fez uma renca. Mas, olha só que cagada, a penca de formiga tava é rodeando um biscoito goiabinha que eu tinha esquecido ali em cima. Sei lá quando eu comprei, nunca mais passei no mercado, vivo de disk-pizza, cê sabe, sei que peguei, comi, ainda tinha mais de metade do pacote, comi em, sei lá, menos de 1 minuto, virei pro lado e dormi.
Acordei, era três da tarde, porra, pai, você sabe que eu chego no escritório as nove, por que não me levantou? Me chamou? Me chamou porra nenhuma, como eu não ouvi? O caralho que eu voltei pro lado e voltei a dormir, o caralho. Que que isso debaixo da cama? Nada? Cadê? Cadê a mãe, ô, mãe, já fez café? Porra, não fez café ainda? Eu acordo 6 horas atrasado pra chegar no trabalho e meu café ainda não tá pronto? E o almoço? O almoço tem que estar, que quem tem pra comer? Arroz? Feijão? Ovo? É isso o almoço? Vocês só podem estar de palhaçada com minha cara, só podem estar querendo me foder. Eu vou é dormir. Acordei, era três e dez da tarde, porra, cadê vocês, como me deixaram dormir até agora? Meu chefe ligou? Alguém me ligou? Carol me ligou? E o Vítor? Quem tocou a campainha, me chamaram pra correr na rua? Ninguém? Como eu odeio esse tapete, abre essa merda de janela, cadê o café, a cama que range, essa parede, eu odeio essas imagens de santo, esse chão, de madeira, de cupim, essa poeira, esse cheiro de cocô de bebê que não se pode esquecer de juntar um dia e já espalha pela casa. Odeio essa casa, que esquenta à sauna o verão inteiro e no inverno passo frio. Hoje fez 50 graus e minha vontade é de destruir essa casa na base do soco ou só na cabeçada, até meu corpo trincar, sangrar, rachar, cair pedaço, desmoronar com isso aqui. Acordei três e vinte de alguma coisa, mas o relógio é de ponteiro, tarde ou noite? Pai, mãe, que que tem pra janta? Devem ter saído.
Acordei e meu gato tava limpo já. Bem que dizem que é o bicho mais higiênico que existe. Levantei pra mijar, olhei o telefone, nenhuma ligação. Carol não ligou de novo. Eu quero meter, cacete! Bati uma punheta lembrando dela de quatro de camisola e voltei a dormir. Carol, essa vaca. Se um dia a gente voltar, quebro dessa vez as duas pernas dela, pra ela não chegar longe nessa vida, pra não passar nem da porta do quarto. Pra aprender que não pode viver sem mim. Não me retorna, não responde mensagem. Ligo pra casa, só secretária. Esses dias passei na casa dela, diz o porteiro que se mudou, mas não acredito não, deve ter dado um troco pra ele mentir. Eu juro que se pego ela falando de novo com aquele Valdir, nossa, até o nome é escroto. Eu juro. Próximo quinto dia útil: partiu VM? Já são 2 meses sem dar umazinha, ficando puto, sabe? Eu sei, é foda, mas tô duro pra pagar uma puta que preste. E essa anta humana ainda me some. Depois diz que me ama, depois diz que me quer.
Acordei, era três da tarde, porra, pai, você sabe que eu chego no escritório as nove, por que não me levantou? Me chamou? Me chamou porra nenhuma, como eu não ouvi? O caralho que eu voltei pro lado e voltei a dormir, o caralho. Que que isso debaixo da cama? Nada? Cadê? Cadê a mãe, ô, mãe, já fez café? Porra, não fez café ainda? Eu acordo 6 horas atrasado pra chegar no trabalho e meu café ainda não tá pronto? E o almoço? O almoço tem que estar, que quem tem pra comer? Arroz? Feijão? Ovo? É isso o almoço? Vocês só podem estar de palhaçada com minha cara, só podem estar querendo me foder. Eu vou é dormir. Acordei, era três e dez da tarde, porra, cadê vocês, como me deixaram dormir até agora? Meu chefe ligou? Alguém me ligou? Carol me ligou? E o Vítor? Quem tocou a campainha, me chamaram pra correr na rua? Ninguém? Como eu odeio esse tapete, abre essa merda de janela, cadê o café, a cama que range, essa parede, eu odeio essas imagens de santo, esse chão, de madeira, de cupim, essa poeira, esse cheiro de cocô de bebê que não se pode esquecer de juntar um dia e já espalha pela casa. Odeio essa casa, que esquenta à sauna o verão inteiro e no inverno passo frio. Hoje fez 50 graus e minha vontade é de destruir essa casa na base do soco ou só na cabeçada, até meu corpo trincar, sangrar, rachar, cair pedaço, desmoronar com isso aqui. Acordei três e vinte de alguma coisa, mas o relógio é de ponteiro, tarde ou noite? Pai, mãe, que que tem pra janta? Devem ter saído.
Acordei e meu gato tava limpo já. Bem que dizem que é o bicho mais higiênico que existe. Levantei pra mijar, olhei o telefone, nenhuma ligação. Carol não ligou de novo. Eu quero meter, cacete! Bati uma punheta lembrando dela de quatro de camisola e voltei a dormir. Carol, essa vaca. Se um dia a gente voltar, quebro dessa vez as duas pernas dela, pra ela não chegar longe nessa vida, pra não passar nem da porta do quarto. Pra aprender que não pode viver sem mim. Não me retorna, não responde mensagem. Ligo pra casa, só secretária. Esses dias passei na casa dela, diz o porteiro que se mudou, mas não acredito não, deve ter dado um troco pra ele mentir. Eu juro que se pego ela falando de novo com aquele Valdir, nossa, até o nome é escroto. Eu juro. Próximo quinto dia útil: partiu VM? Já são 2 meses sem dar umazinha, ficando puto, sabe? Eu sei, é foda, mas tô duro pra pagar uma puta que preste. E essa anta humana ainda me some. Depois diz que me ama, depois diz que me quer.

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