As Olimpíadas de Inverno hão de chegar no Rio de Janeiro, garantidas por carregamentos de neve vindos de Bariloche e das Cordilheiras dos Andes, um verdadeiro colossal empreendimento turístico. O evento será estruturado com financiamento do Estado em articulação com uma certa empresa terceirizada estrangeira. O conchavo, por conta de uma série de decretos aprovados rapidamente pela Câmara, será tratado exclusivamente por esta empresa, recém fundada, em consultoria conjunta à Secretaria de Turismo Municipal.
Os carregamentos de neve hão de chegar, se sustentar e adaptar ao novo cenário fundado nesta cidade, graças às maravilhas oriundas das novas tecnologias de climatização customizada de ecossistemas de médio porte. Hão de chegar mas posteriormente os envolvidos se espantarão com uma nova onda de calor que irá surgir, superando quaisquer expectativas previstas, em um efeito 10 vezes mais intenso que o El Niño, destruindo a aparelhagem que havia permitido climatizar a cidade semanas antes. As crostas nevadas que estavam amontoadas em nossas serras, então, irão se derreter, fato intensificado fatidicamente pelo feriado prolongado, pelas peles morenas se aproveitando do período, pelo dezembro carioca, que irá se impor sobre os objetivos transnacionais ao se adiantar para os meados de julho.
Toda neve importada derretida e escorrida dos elevados se acumulará, ao nível do mar, em um gigantesco parque aquático natural gratuito de água doce pelos bairros do Centro, Zona Sul, Norte e Oeste, seguidos de um dilúvio de 10 semanas, igualmente fora de época, similarmente milagroso. Os escorregadores serão instalados ao longo das encostas dos morros e serras, e dentro de poucos anos nossa fauna e flora se adaptará. Moraremos no pântano tropical oriundo desta branda catástrofe. Coqueiros se multiplicarão pelas novas encostas e seu conteúdo líquido voltará a custar menos de um real diante de tanta oferta. Após uma fracassada tentativa de patentear estas árvores, vetada por iniciativa popular, a empresa terceirizada estrangeira decretará falência removendo suas atividades do país. Outro exemplo de iniciativa frustrada será a grande pista de patinação instalada na Lagoa Rodrigo de Freitas.
Tamanho o choque hídrico causará grande abominação dentre as classes altas pois igualmente ao longo da cidade se formarão novos manguezais, desvalorizando vertiginosamente todos os imóveis da região visto estarem em pé de igualdade infraestrutural com o restante da capital fluminense e consequentemente estourando a bolha imobiliária ali antes estabelecida. As comunidades removidas pela Prefeitura por conta das obras e mesmo índios que habitavam séculos antes a Floresta Atlântica reverterão sua diáspora rumo a seus lares, fortalezas, aproveitando-se no caos causado pela má administração dos governantes, que viriam a ser depostos, diante deste cenário inesperado.
Um meteoro com substâncias extraterrestres misteriosas mas muito similares às propriedades do sabão e do cloro, então, cairá sobre a nossa baía purificando suas margens e leito em totalidade de todo petróleo e demais dejetos. Histórias, casos, pesquisas fortuitas, a partir daí, irão ser inspiradas pelo evento aqui descrito, retratando estes fatos em estudos acadêmicos, cinema, canção e outras formas de conhecimento e cultura. A Nova Guabanara, como será chamada, passará a ser considerada "A Primeira Maravilha do Mundo Pós Moderno", derrocando o Cristo, cuja redenção não evitou que seus pedaços, durante o dilúvio, se espalhassem pelo Oceano Atlântico. Nesta Baía, em manhãs ensolaradas, o limite entre o azul do céu e da água será quase indiscernível no breve horizonte. Isto confundirá constantemente os embriagados que virarem a noite em sambas e rodas da renascida Zona Portuária e resolverem testemunhar o nascer do dia. Tal similaridade, contudo, nunca ludibriará as famintas gaivotas.
Os carregamentos de neve hão de chegar, se sustentar e adaptar ao novo cenário fundado nesta cidade, graças às maravilhas oriundas das novas tecnologias de climatização customizada de ecossistemas de médio porte. Hão de chegar mas posteriormente os envolvidos se espantarão com uma nova onda de calor que irá surgir, superando quaisquer expectativas previstas, em um efeito 10 vezes mais intenso que o El Niño, destruindo a aparelhagem que havia permitido climatizar a cidade semanas antes. As crostas nevadas que estavam amontoadas em nossas serras, então, irão se derreter, fato intensificado fatidicamente pelo feriado prolongado, pelas peles morenas se aproveitando do período, pelo dezembro carioca, que irá se impor sobre os objetivos transnacionais ao se adiantar para os meados de julho.
Toda neve importada derretida e escorrida dos elevados se acumulará, ao nível do mar, em um gigantesco parque aquático natural gratuito de água doce pelos bairros do Centro, Zona Sul, Norte e Oeste, seguidos de um dilúvio de 10 semanas, igualmente fora de época, similarmente milagroso. Os escorregadores serão instalados ao longo das encostas dos morros e serras, e dentro de poucos anos nossa fauna e flora se adaptará. Moraremos no pântano tropical oriundo desta branda catástrofe. Coqueiros se multiplicarão pelas novas encostas e seu conteúdo líquido voltará a custar menos de um real diante de tanta oferta. Após uma fracassada tentativa de patentear estas árvores, vetada por iniciativa popular, a empresa terceirizada estrangeira decretará falência removendo suas atividades do país. Outro exemplo de iniciativa frustrada será a grande pista de patinação instalada na Lagoa Rodrigo de Freitas.
Tamanho o choque hídrico causará grande abominação dentre as classes altas pois igualmente ao longo da cidade se formarão novos manguezais, desvalorizando vertiginosamente todos os imóveis da região visto estarem em pé de igualdade infraestrutural com o restante da capital fluminense e consequentemente estourando a bolha imobiliária ali antes estabelecida. As comunidades removidas pela Prefeitura por conta das obras e mesmo índios que habitavam séculos antes a Floresta Atlântica reverterão sua diáspora rumo a seus lares, fortalezas, aproveitando-se no caos causado pela má administração dos governantes, que viriam a ser depostos, diante deste cenário inesperado.
Um meteoro com substâncias extraterrestres misteriosas mas muito similares às propriedades do sabão e do cloro, então, cairá sobre a nossa baía purificando suas margens e leito em totalidade de todo petróleo e demais dejetos. Histórias, casos, pesquisas fortuitas, a partir daí, irão ser inspiradas pelo evento aqui descrito, retratando estes fatos em estudos acadêmicos, cinema, canção e outras formas de conhecimento e cultura. A Nova Guabanara, como será chamada, passará a ser considerada "A Primeira Maravilha do Mundo Pós Moderno", derrocando o Cristo, cuja redenção não evitou que seus pedaços, durante o dilúvio, se espalhassem pelo Oceano Atlântico. Nesta Baía, em manhãs ensolaradas, o limite entre o azul do céu e da água será quase indiscernível no breve horizonte. Isto confundirá constantemente os embriagados que virarem a noite em sambas e rodas da renascida Zona Portuária e resolverem testemunhar o nascer do dia. Tal similaridade, contudo, nunca ludibriará as famintas gaivotas.

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