"E descobri que não podíamos transar porque ele é meu primo! Este tal de amor me parece de uma violência impalpável." Ele disse esta fala pretensiosa numa madrugada de Sábado pra Domingo, cravando unhas nas costas de Deus, que então metia meio mal. "Deus" era o apelido do ex-namorado, que viria aparecer outras vezes nos dias dali em diante. O primo era outro, que na verdade sabia que era primo, sabiam ambos, mas sei lá, sentimento cristão que bateu na hora H, I, J. Kamila, com "K" mesmo, foi a primeira menina obesa com quem ficou, com quem quase engatou em namoro sério, aliás. De quando aprendeu que essa balela de menina magrinha acontece diferente na prática e a relevância na prática física do ato sexual da coisa variava. Apesar disso, Kamila fez dieta, emagreceu, se mudou pra outra cidade e começou a namorar outro carinha; três namorados depois casou, voltou a engordar, mudou de volta pra capital e Ele encontrou-a no Shopping Zazza na semana antes do Natal. Comprava um carrinho amarelo pra filha que havia insistido no presente, foi quando ele apresentou o namorado da época, espantando de leve a moça. Não era o primo, o primo se mudara pros Estados Unidos pra fazer Mestrado em Engenharia da Computação; lá uma semana depois conhecera uma garota, com quem viria a se casar, e foi quando Ele aprendeu a sentir Ciúme.
O Ciúme, segundo Caetano, é uma flecha negra que vigia. Ou um ponto negro, que aponta e fura. Por aí. Samanta foi sua primeira menina séria, de dormir e transar em casa, bonitinho. Samanta era hétero, mas sua mãe não. Moravam com elas a sua "amiga", que estava procurando emprego e a quem estavam ajudando a se restabelecer. Acontece que a amiga da mãe da Samanta, quando dizia que ia jogar currículos nas agências, saía era para trabalhar o seu bem remunerado emprego; moraria pelos próximos 10 anos. Samanta devia saber; se se importava, escondia. Sabia conversar muito bem, a pessoa com quem travou o maior e melhor número médio de conversas relevantes sobre a vida, arte, transa, moral, filosofia, política, culinária e antropofagia. Sonhava em comer um ser humano. Não para matar, se satisfaria com um dedo, uma mão, uma perna. Não era uma assassina. Samanta tinha um senso de humor idiossincrático. Foi com ela que aprendeu essa palavra, também. Com ela aprendeu a gostar de John Coltrane e (a fazer) sexo oral. Dizia que "A Love Supreme" arrepiava até pedra do alto do Baixo Lago. Samanta, num 16 de Dezembro, disse que aprendeu a gostar de outras pessoas ao mesmo tempo, e propôs uma forma diferente de relacionamento. Foi a segunda vez que sentiu Ciúme na vida. Embora tenha aprendido com ela também a gostar de várias pessoas simultaneamente. Essa palavra já sabia. A propósito, foi Deus que lhe ensinou a usá-la, quando o conheceu num boteco qualquer do Baixo Barra. Disputaram quem viraria mais canecas de cerveja enquanto caminhando de costas. Acordou de ressaca na casa de Deus, ligou, pediu pra Samanta vir lhe buscar e está esperando o carro dela até hoje.
Queria experimentar outras coisas, outros Deuses, mas aí literalmente, conheceu o Budismo, percebeu que o desprendimento de qualquer sentimento e o grande nada era a única solução para a verdadeira Paz. Teve conflitos pois percebia que quando bebia cerveja a vontade de sair correndo explodindo carros e beijando idosos na boca era maior, e que tamanha intensidade não dava rima. Tentou o Espiritismo também, só que era culpa demais, era remorso demais, aprender lições de vidas que sequer lembrava. Sobretudo, eles também implicavam com álcool. Se aproximou da Umbanda, que era mais leve com as questões da carne, mas acabou se afastando por falta de tempo na faculdade. Fazia Direito e tinha pouquíssimos amigos lá. Após meio semestre de cursinho de Alemão, decidiu que escreveria dali em diante certas palavras com letra maiúscula. O "Deustch" dá letra maiúscula para todo substantivo, próprio ou não. Se formou, trabalhou por uns bons anos no Tribunal de Contas, e acabou casando. Acabou casando mesmo, Ele, com uma menina, depois de superar o amor platônico pelo primo, de superar Deus, de superar a grande depressão de 32. Tudo começou há um tempo atrás na Ilha da Lua, onde passou a frequentar uma igreja; uma igreja que na verdade aceitava modernidades de verdade. Ele mentia e não acreditava em nada daquilo tudo; frequentava mais porque a igreja ficava há duas quadras do trabalho e precisava enrolar uma hora ou duas para a faculdade quando não estava em época de provas.
Aliás, havia passado no Mestrado. Menos porque queria um salário melhor e mais porque qualquer coisa. À igreja; nas horas que passava nesta, a pastora, Mulher de 20 e uns, pregava as palavras de cristo hiperativamente com determinado tesão. Ou Ele pelo menos enxergava nela tal sensualidade. Samanta gostaria de tê-la conhecido. Principalmente porque sua abordagem do evangelho de cristo era vanguarda, interpretava o amor divino englobando gays, drogas, política, sem pejoração. A igreja teve um início problemático, outras igrejas apontavam-na como antro de perversão e satanismo. Inferno e diabo. Isso era interessante. Sua Fé mesmo vinha da cara da pastora, que se chamava Luiza, que subtraindo o "a" era quase Luz. Luz que vinha de seus olhos escuros e cabelos ainda mais escuros, como piche; pele por sua vez branca como Queijo Branco. Beijava bem. Ele ficou um dia depois do culto para semear assunto; dias depois nisso, bem sincero, disse que se importava praticamente zero com o lado religioso do evento, e que admirava, contudo, a coragem da pastora a tomar posturas tão polêmicas. Luiza agradeceu a sinceridade e depois de uns cafés, drinks e cigarros, se apaixonaram, transaram, e foram morar juntos. Ela era definitivamente um ser iluminado por Deus; literalmente, o seu ex se convertera para igreja e trabalhava de contra-regra e chefe de iluminação no templo, localizado no bairro de Barra Raza.
Como percebemos, Ele aprendeu a fumar, com Luiza; só tinha a "bad" constante de morrer a qualquer momento. Do cigarro. Deus lhe dizia que ninguém pode morrer fumando tão pouco. Agradecia. Às vezes saiam os três a beber depois do culto; geralmente as quintas feiras um Pub ali perto tinha dose dupla de Chopp por 4 choradas. Na época as casas noturnas ainda se permitiam esse tipo de promoção, antes da grade crise de 32. Luiza dizia ao Barman, Deus lhe pague; aí literal, pois mantinha sua Fé na Bíblia. Falavam quase zero de religião, na prática; um belo dia Deus levou o novo namorado, que conhecera na igreja também, e ficavam discutindo cinema e música. Modernos. O governo recentemente, afim de diminuir a violência urbana homofóbica, proibiu qualquer pessoa de se beijar em público. A primeira proposta era apenas coibir os gays em si, mas após diversos protestos, aos quais Ele, Luíza, Deus e outros crentes da igreja compareceram em massa, foi se posto mais democrática uma proibição geral. A medida durou 1 ano, quando o governo seguinte do partido de oposição elegeu-se e a baniu, optando então a tornar mais duras medidas corretivas de violência urbana gratuita quando estimuladas por ódio racial, religioso ou oriundas de homofobia. Isso compensava em parte várias medidas econômicas taxativas e protecionistas, as quais o debate foge à relevância deste conto. Portanto, deixando de lado o cenário político, em mais um dia de pub qualquer, Luiza revelou que pensava em casar, um dia, porque sim. Foi a deixa pr'Ele pedi-la em noivado. Ela que recusou, pela razão de que saiam apenas há 16 meses, mas que podiam discutir o assunto novamente se continuassem juntos dali um ano. Acontecidos e completados 28 meses juntos, resolveram marcar o casamento no próprio templo, o primeiro celebrado. Neste período o número de fiéis quadruplicara, e tiveram que migrar pra um antigo armazém da região. Foram abertas outras duas filiais. 4 anos depois, Luiza sairia candidata a vereadora, mas já então Ele e Ela divorciariam no papel e no físico.
Conheceu Mica no Pub citado anteriormente; Mical, seu nome de batismo, puxou assunto numa quarta feira com Ele, aproveitando que Luiza havia ido ao Toalete. Se apresentou e disse que tinha visto o casamento deles, que fora aberto ao público; que costumava frequentar o templo mas que queria outras coisas da vida. Ele disse que também parara de frequentar o templo e também queria outras coisas da vida; assim perguntou quais seriam essas outras coisas que Mica queria. Trocaram emails, depois telefones e, quando o divórcio com Luiza viria a tona, passaram a trocar saliva também. Fidelidades fora, dali em diante manteria, na verdade, um relacionamento aberto com Luiza, que se achava muito nova para nunca mais voltar a transar com ninguém diferente. Ele concordara mais para poder penetrar Mica e Deus, com quem ainda tinha contato, do que realmente pensando no Ciúme que poderia vir depois. Este que veio e fora aquela a terceira vez que sentira a palavra agulhada na pele; talvez a mais dura e real das vezes. Luiza viria a morar com 3 rapazes, sendo ele o quarto amante, queriam manter o lado bom do relacionamento que cultivavam. Queria matá-los todos os outros rapazes que se deitavam com ela à serra elétrica; embora um deles, jeitoso e simpático, houvesse proposto um menáge entre Ele e Luiza. Impedido pela ideia de ter que dividi-la na cama com outro homem ao mesmo tempo que si, ficaria 6 meses sem dormir novamente com Luiza, período no qual aconteceu de aprofundar sua relação com Mimi, apelido original que Ele inventara para seu novo affair. "Mica" era mais pros outros amigos, como eu.
Ela, que é Ela, tinha uma beleza bíblica, fazendo juz ao nome. Ao contrário da esposa da Davi, podia criticar Ele a vontade sem tornar-se estéril. Os pais a batizaram com tal nome esperando não ter netos. O que aconteceu foi bem o contrário; idos 2 anos de relacionamento com Ele, engravidou. Mica já tinha uma filha, de 3 anos de idade. Chamava Virgínia, pela escritora. Brincava de video-game e bola com Ela quando dormia na casa de Mica. O pai e a mãe eram ausentes; mas do outro país que estavam mudados mandavam recursos financeiros via transferência bancária. Sendo assim e estável sua relação com Mica, dentro de meses Ele resolveu se mudar de vez para sua casa. Gravidez ocorrera mais ou menos planejadamente; um primo, de Mical, qualquer, foi padrinho do lado de mãe, e Luiza foi madrinha do lado d'Ele. Duas crianças em casa, ele me contava que os dois tinham um problema cada para lidar com determinadas datas, sobretudo, o Natal. Mica, de família de ex-judeus recém convertidos à outra religião qualquer, tornou-se ateia aos meros 7 anos de idade visto pouca influência moral em sentido contrário em sua formação, segundo Ele. Decidiram por fim aos finais de ano, em coerência aos interesses antropológicos d'Ele pela recém iniciada nova faculdade em Ciências Sociais, fazer em casa uma adaptação do feriado solsticial de diferentes culturas. Comemorariam a data sob "variadas influências estético-valorativas" a cada ano. Foi assim que após primeiramente o Hannukah, quase equivalente ao Natal no Judaísmo, numa tentativa de Mica em experienciar sua formação perdida, a família teve diversas diferentes cerimônias: xintoístas, hinduístas, taoístas, budistas. Isto a partir da data que seu filho comemoraria seus 6 anos de idade e Virgínia os seus 11, tendo então ambos compreensão e lembrança dos acontecimentos; seu filho se chamava Otávio, sem referência literária específica, e nascera no dia 26 de dezembro, para alegria da família.
O tempo passa e um dia vem na porta um senhor perguntando sobre o que andava fazendo esta tal de Mical. Este senhor era seu pai e remetia muito aos traços de Mica fisicamente; veio dizer que sua mãe havia falecido. Sobre isso, ainda não entramos no mérito da aparência da esposa d'Ele, Mical, mas é preciso saber que ela era azul como azul é de piscina, no sentido de infância e férias; e morena como morenas são as primeiras morenas por quem alguém se apaixona; e tinha manchas no braço, manchas avermelhadas, espalhadas aleatoriamente em ambos os, o que tornava ela mais bela pois realmente se importava nada com detalhe seu em sentido pejorativo; e era leve, não magra, mas leve, nem tão pequena, de forma que podia levantá-la nos braços pelas pernas na cozinha ou elevador e fazer amor; o cabelo era liso mas de um liso estranho que tinha dias que acordava cacheado; doce e atenciosa, mesmo ignorando mensagens, e não retornando ligações; alegre, mesmo fumando 2 maços de cigarro por dia; direta e prática, mesmo sendo seu mestrado especializado em filosofia hegeliana; culta, mesmo gostando de sorvete de passas ao rum; calma, mesmo brava, brava porque leu este parágrafo que escrevi sobre ela me mandou parar de descrevê-la no passado como se estivesse morta, pois não está.
Após a morte da mãe de Mica e respectivo enterro, a família viria a a renascer, não como nosso senhor, e sim metafísica. Gerará mais filhos e netos, com gente e amigos e inimigos vindo se abrigar na casa d'Eles por volta e meia, incluindo Deus em pessoa e Luíza. Moravam num largo belo e com poucos moradores de rua, bem no Alto Barra. Luíza cansou da igreja um belo dia, e repassou a administração e lucros para outra amiga pastora, com quem teve um romance temporário uns 17 meses quando se descobrira também bissexual. Mais ou menos quando saiu para Vereadora. Estará solteira agora. Ele, nosso protagonista, percebeu que, que pela condição financeira que tinha, Luíza ainda era boa pessoa. Luíza fez aplicações na bolsa com a renda acumulada então provavelmente terá poucos problemas financeiros restante de sua vida. Passava alguns finais de semana em sua casa, quando experimentavam sexo aberto, costume que durou apenas as primeiras visitas, visto as crianças na sala de estar. Mica lidava bem com a situação. Samanta e o primo não deram mais notícias. E Eu? Morava Eu há duas estações deles. Nos conhecemos numa fila de Cinema, quando puxaram assunto devido minha camisa do Miles Davis. Também sou desses, Pretensioso. Ele engatou uma carreira promissora só que me proibiu de falar exatamente o quê e entrar em detalhes aqui. Ele, aliás, se chama "Ele", mesmo. Só que com dois éles: "Elle Figueiredo Campos". Dia desses se reencontrou com Deus em um boteco sujo depois do trabalho e descobriu que ele abriu seu próprio Pub em Barra Raza. Parou na casa d'Eles após uma ressaca. Seu bar se chamava "Céu", e abria de Quarta à Sexta. Era Terça. Deus preferia ser chamado agora pelo seu nome de batismo, "Odin." Findando o conto, poderia esticar aqui suas vidas, mas é onde chegamos no presente e faria pouco sentido inventar coisas que ainda estão por acontecer. Lembrei de uma coisa que gostaria de dizer: apesar de haver pouca evidência disso, Elle me jura que nunca mais sentiu Ciúme.
O Ciúme, segundo Caetano, é uma flecha negra que vigia. Ou um ponto negro, que aponta e fura. Por aí. Samanta foi sua primeira menina séria, de dormir e transar em casa, bonitinho. Samanta era hétero, mas sua mãe não. Moravam com elas a sua "amiga", que estava procurando emprego e a quem estavam ajudando a se restabelecer. Acontece que a amiga da mãe da Samanta, quando dizia que ia jogar currículos nas agências, saía era para trabalhar o seu bem remunerado emprego; moraria pelos próximos 10 anos. Samanta devia saber; se se importava, escondia. Sabia conversar muito bem, a pessoa com quem travou o maior e melhor número médio de conversas relevantes sobre a vida, arte, transa, moral, filosofia, política, culinária e antropofagia. Sonhava em comer um ser humano. Não para matar, se satisfaria com um dedo, uma mão, uma perna. Não era uma assassina. Samanta tinha um senso de humor idiossincrático. Foi com ela que aprendeu essa palavra, também. Com ela aprendeu a gostar de John Coltrane e (a fazer) sexo oral. Dizia que "A Love Supreme" arrepiava até pedra do alto do Baixo Lago. Samanta, num 16 de Dezembro, disse que aprendeu a gostar de outras pessoas ao mesmo tempo, e propôs uma forma diferente de relacionamento. Foi a segunda vez que sentiu Ciúme na vida. Embora tenha aprendido com ela também a gostar de várias pessoas simultaneamente. Essa palavra já sabia. A propósito, foi Deus que lhe ensinou a usá-la, quando o conheceu num boteco qualquer do Baixo Barra. Disputaram quem viraria mais canecas de cerveja enquanto caminhando de costas. Acordou de ressaca na casa de Deus, ligou, pediu pra Samanta vir lhe buscar e está esperando o carro dela até hoje.
Queria experimentar outras coisas, outros Deuses, mas aí literalmente, conheceu o Budismo, percebeu que o desprendimento de qualquer sentimento e o grande nada era a única solução para a verdadeira Paz. Teve conflitos pois percebia que quando bebia cerveja a vontade de sair correndo explodindo carros e beijando idosos na boca era maior, e que tamanha intensidade não dava rima. Tentou o Espiritismo também, só que era culpa demais, era remorso demais, aprender lições de vidas que sequer lembrava. Sobretudo, eles também implicavam com álcool. Se aproximou da Umbanda, que era mais leve com as questões da carne, mas acabou se afastando por falta de tempo na faculdade. Fazia Direito e tinha pouquíssimos amigos lá. Após meio semestre de cursinho de Alemão, decidiu que escreveria dali em diante certas palavras com letra maiúscula. O "Deustch" dá letra maiúscula para todo substantivo, próprio ou não. Se formou, trabalhou por uns bons anos no Tribunal de Contas, e acabou casando. Acabou casando mesmo, Ele, com uma menina, depois de superar o amor platônico pelo primo, de superar Deus, de superar a grande depressão de 32. Tudo começou há um tempo atrás na Ilha da Lua, onde passou a frequentar uma igreja; uma igreja que na verdade aceitava modernidades de verdade. Ele mentia e não acreditava em nada daquilo tudo; frequentava mais porque a igreja ficava há duas quadras do trabalho e precisava enrolar uma hora ou duas para a faculdade quando não estava em época de provas.
Aliás, havia passado no Mestrado. Menos porque queria um salário melhor e mais porque qualquer coisa. À igreja; nas horas que passava nesta, a pastora, Mulher de 20 e uns, pregava as palavras de cristo hiperativamente com determinado tesão. Ou Ele pelo menos enxergava nela tal sensualidade. Samanta gostaria de tê-la conhecido. Principalmente porque sua abordagem do evangelho de cristo era vanguarda, interpretava o amor divino englobando gays, drogas, política, sem pejoração. A igreja teve um início problemático, outras igrejas apontavam-na como antro de perversão e satanismo. Inferno e diabo. Isso era interessante. Sua Fé mesmo vinha da cara da pastora, que se chamava Luiza, que subtraindo o "a" era quase Luz. Luz que vinha de seus olhos escuros e cabelos ainda mais escuros, como piche; pele por sua vez branca como Queijo Branco. Beijava bem. Ele ficou um dia depois do culto para semear assunto; dias depois nisso, bem sincero, disse que se importava praticamente zero com o lado religioso do evento, e que admirava, contudo, a coragem da pastora a tomar posturas tão polêmicas. Luiza agradeceu a sinceridade e depois de uns cafés, drinks e cigarros, se apaixonaram, transaram, e foram morar juntos. Ela era definitivamente um ser iluminado por Deus; literalmente, o seu ex se convertera para igreja e trabalhava de contra-regra e chefe de iluminação no templo, localizado no bairro de Barra Raza.
Como percebemos, Ele aprendeu a fumar, com Luiza; só tinha a "bad" constante de morrer a qualquer momento. Do cigarro. Deus lhe dizia que ninguém pode morrer fumando tão pouco. Agradecia. Às vezes saiam os três a beber depois do culto; geralmente as quintas feiras um Pub ali perto tinha dose dupla de Chopp por 4 choradas. Na época as casas noturnas ainda se permitiam esse tipo de promoção, antes da grade crise de 32. Luiza dizia ao Barman, Deus lhe pague; aí literal, pois mantinha sua Fé na Bíblia. Falavam quase zero de religião, na prática; um belo dia Deus levou o novo namorado, que conhecera na igreja também, e ficavam discutindo cinema e música. Modernos. O governo recentemente, afim de diminuir a violência urbana homofóbica, proibiu qualquer pessoa de se beijar em público. A primeira proposta era apenas coibir os gays em si, mas após diversos protestos, aos quais Ele, Luíza, Deus e outros crentes da igreja compareceram em massa, foi se posto mais democrática uma proibição geral. A medida durou 1 ano, quando o governo seguinte do partido de oposição elegeu-se e a baniu, optando então a tornar mais duras medidas corretivas de violência urbana gratuita quando estimuladas por ódio racial, religioso ou oriundas de homofobia. Isso compensava em parte várias medidas econômicas taxativas e protecionistas, as quais o debate foge à relevância deste conto. Portanto, deixando de lado o cenário político, em mais um dia de pub qualquer, Luiza revelou que pensava em casar, um dia, porque sim. Foi a deixa pr'Ele pedi-la em noivado. Ela que recusou, pela razão de que saiam apenas há 16 meses, mas que podiam discutir o assunto novamente se continuassem juntos dali um ano. Acontecidos e completados 28 meses juntos, resolveram marcar o casamento no próprio templo, o primeiro celebrado. Neste período o número de fiéis quadruplicara, e tiveram que migrar pra um antigo armazém da região. Foram abertas outras duas filiais. 4 anos depois, Luiza sairia candidata a vereadora, mas já então Ele e Ela divorciariam no papel e no físico.
Conheceu Mica no Pub citado anteriormente; Mical, seu nome de batismo, puxou assunto numa quarta feira com Ele, aproveitando que Luiza havia ido ao Toalete. Se apresentou e disse que tinha visto o casamento deles, que fora aberto ao público; que costumava frequentar o templo mas que queria outras coisas da vida. Ele disse que também parara de frequentar o templo e também queria outras coisas da vida; assim perguntou quais seriam essas outras coisas que Mica queria. Trocaram emails, depois telefones e, quando o divórcio com Luiza viria a tona, passaram a trocar saliva também. Fidelidades fora, dali em diante manteria, na verdade, um relacionamento aberto com Luiza, que se achava muito nova para nunca mais voltar a transar com ninguém diferente. Ele concordara mais para poder penetrar Mica e Deus, com quem ainda tinha contato, do que realmente pensando no Ciúme que poderia vir depois. Este que veio e fora aquela a terceira vez que sentira a palavra agulhada na pele; talvez a mais dura e real das vezes. Luiza viria a morar com 3 rapazes, sendo ele o quarto amante, queriam manter o lado bom do relacionamento que cultivavam. Queria matá-los todos os outros rapazes que se deitavam com ela à serra elétrica; embora um deles, jeitoso e simpático, houvesse proposto um menáge entre Ele e Luiza. Impedido pela ideia de ter que dividi-la na cama com outro homem ao mesmo tempo que si, ficaria 6 meses sem dormir novamente com Luiza, período no qual aconteceu de aprofundar sua relação com Mimi, apelido original que Ele inventara para seu novo affair. "Mica" era mais pros outros amigos, como eu.
Ela, que é Ela, tinha uma beleza bíblica, fazendo juz ao nome. Ao contrário da esposa da Davi, podia criticar Ele a vontade sem tornar-se estéril. Os pais a batizaram com tal nome esperando não ter netos. O que aconteceu foi bem o contrário; idos 2 anos de relacionamento com Ele, engravidou. Mica já tinha uma filha, de 3 anos de idade. Chamava Virgínia, pela escritora. Brincava de video-game e bola com Ela quando dormia na casa de Mica. O pai e a mãe eram ausentes; mas do outro país que estavam mudados mandavam recursos financeiros via transferência bancária. Sendo assim e estável sua relação com Mica, dentro de meses Ele resolveu se mudar de vez para sua casa. Gravidez ocorrera mais ou menos planejadamente; um primo, de Mical, qualquer, foi padrinho do lado de mãe, e Luiza foi madrinha do lado d'Ele. Duas crianças em casa, ele me contava que os dois tinham um problema cada para lidar com determinadas datas, sobretudo, o Natal. Mica, de família de ex-judeus recém convertidos à outra religião qualquer, tornou-se ateia aos meros 7 anos de idade visto pouca influência moral em sentido contrário em sua formação, segundo Ele. Decidiram por fim aos finais de ano, em coerência aos interesses antropológicos d'Ele pela recém iniciada nova faculdade em Ciências Sociais, fazer em casa uma adaptação do feriado solsticial de diferentes culturas. Comemorariam a data sob "variadas influências estético-valorativas" a cada ano. Foi assim que após primeiramente o Hannukah, quase equivalente ao Natal no Judaísmo, numa tentativa de Mica em experienciar sua formação perdida, a família teve diversas diferentes cerimônias: xintoístas, hinduístas, taoístas, budistas. Isto a partir da data que seu filho comemoraria seus 6 anos de idade e Virgínia os seus 11, tendo então ambos compreensão e lembrança dos acontecimentos; seu filho se chamava Otávio, sem referência literária específica, e nascera no dia 26 de dezembro, para alegria da família.
O tempo passa e um dia vem na porta um senhor perguntando sobre o que andava fazendo esta tal de Mical. Este senhor era seu pai e remetia muito aos traços de Mica fisicamente; veio dizer que sua mãe havia falecido. Sobre isso, ainda não entramos no mérito da aparência da esposa d'Ele, Mical, mas é preciso saber que ela era azul como azul é de piscina, no sentido de infância e férias; e morena como morenas são as primeiras morenas por quem alguém se apaixona; e tinha manchas no braço, manchas avermelhadas, espalhadas aleatoriamente em ambos os, o que tornava ela mais bela pois realmente se importava nada com detalhe seu em sentido pejorativo; e era leve, não magra, mas leve, nem tão pequena, de forma que podia levantá-la nos braços pelas pernas na cozinha ou elevador e fazer amor; o cabelo era liso mas de um liso estranho que tinha dias que acordava cacheado; doce e atenciosa, mesmo ignorando mensagens, e não retornando ligações; alegre, mesmo fumando 2 maços de cigarro por dia; direta e prática, mesmo sendo seu mestrado especializado em filosofia hegeliana; culta, mesmo gostando de sorvete de passas ao rum; calma, mesmo brava, brava porque leu este parágrafo que escrevi sobre ela me mandou parar de descrevê-la no passado como se estivesse morta, pois não está.
Após a morte da mãe de Mica e respectivo enterro, a família viria a a renascer, não como nosso senhor, e sim metafísica. Gerará mais filhos e netos, com gente e amigos e inimigos vindo se abrigar na casa d'Eles por volta e meia, incluindo Deus em pessoa e Luíza. Moravam num largo belo e com poucos moradores de rua, bem no Alto Barra. Luíza cansou da igreja um belo dia, e repassou a administração e lucros para outra amiga pastora, com quem teve um romance temporário uns 17 meses quando se descobrira também bissexual. Mais ou menos quando saiu para Vereadora. Estará solteira agora. Ele, nosso protagonista, percebeu que, que pela condição financeira que tinha, Luíza ainda era boa pessoa. Luíza fez aplicações na bolsa com a renda acumulada então provavelmente terá poucos problemas financeiros restante de sua vida. Passava alguns finais de semana em sua casa, quando experimentavam sexo aberto, costume que durou apenas as primeiras visitas, visto as crianças na sala de estar. Mica lidava bem com a situação. Samanta e o primo não deram mais notícias. E Eu? Morava Eu há duas estações deles. Nos conhecemos numa fila de Cinema, quando puxaram assunto devido minha camisa do Miles Davis. Também sou desses, Pretensioso. Ele engatou uma carreira promissora só que me proibiu de falar exatamente o quê e entrar em detalhes aqui. Ele, aliás, se chama "Ele", mesmo. Só que com dois éles: "Elle Figueiredo Campos". Dia desses se reencontrou com Deus em um boteco sujo depois do trabalho e descobriu que ele abriu seu próprio Pub em Barra Raza. Parou na casa d'Eles após uma ressaca. Seu bar se chamava "Céu", e abria de Quarta à Sexta. Era Terça. Deus preferia ser chamado agora pelo seu nome de batismo, "Odin." Findando o conto, poderia esticar aqui suas vidas, mas é onde chegamos no presente e faria pouco sentido inventar coisas que ainda estão por acontecer. Lembrei de uma coisa que gostaria de dizer: apesar de haver pouca evidência disso, Elle me jura que nunca mais sentiu Ciúme.

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