domingo, 8 de junho de 2014

Monólogo em Areia e Dedo: Treze

Clarice terminou comigo na semana que iríamos fazer dois anos de namoro. Ricardo me pediu as contas na véspera dos dias dos namorados, devia estar endividado. Tiago terminou por causa do meu hálito, suponho, depois de uma semana. Foi a semana que só almoçava no Subway e pedia salada completa. Iago terminou porque eu trocava o nome dele por esse aí. Ou era o contrário? Sei lá. Durou 1 mês. A primeira Fernanda acabou porque era de áries, onde já se viu, misturar touro com áries? Deliberar se café ou chá preto era um debate assemblear. Sofia eu que pedi em namoro porque sempre quis namorar uma garota com esse nome. Durou pouco. Terminou comigo porque conheceu uma Iara, por quem ela nunca parava de cantar, Iaralá, Iarali. Maria pouco foi adiante. Era só sexo. Comunicou que ia se mudar pra um intercâmbio em uma cidade do interior da França segundos depois de um orgasmo nosso. Podia ter acabado mais com minha saúde. Orestes também era só carne com carne, apesar de vegetariano. Tanto que o pivô da separação foi uma pizza calabresa pedida por engano. 

Tenho pequenas coisas impulsivas que nem todo mundo percebe. Como comer uma caixa de paçoca durante uma festa junina. Ou faltar o trabalho para assistir um filme no cinema, ou para simplesmente me dar com os gatos espalhados por Laranjeiras. Já me peguei indo pra Niterói e voltando no final de semana só pra andar naquela barca velha, sentar ali na proa, né?, e ver o Rio de Janeiro chegando e indo embora. Se tivesse talento ficava como os poetas vendendo poesia em seus livros auto-publicados artesanais, espalhados, comendo e se reproduzindo como pombos pelas ruas do Centro. Já conclui um sem número de vezes: essa rotina ainda me mata. Se eu nunca terminei nada nessa vida? O ensino médio! Teve uma prova de vestibular também, digo acho que chutei metade. Conta? Deu pra passar. Serviço Social na Unirio. Aos onze anos de idade terminei, com certeza, de ler O Pequeno Príncipe. 

Voltando: teve também a segunda Fernanda, aliás, que saiu da minha casa correndo quando viu o estado do meu quarto. Mesmo explicando que sou contra o uso de trabalho doméstico. Iolanda e Conrado também se findaram porque misturava com alguns dos nomes que comentei antes. Que culpa tem eu se a maioria dos nomes desse nosso idioma rimam? Ah, esqueci do Grégor! Esse caso foi diferente dos outros. A família tinha histórico de doença cardíaca, e foi isso que os legistas apressados do SAMU e da funerária registraram. Mas com ele acabou porque matei envenenado mesmo. Ninguém mandou ser viciado em lasanha, machista de merda. 

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