O ônibus não passa, atraso, atraso. Eu perco o rumo, saio da calçada e caminho pela faixa preferencial, atropelado e multado, respectivamente. Caem os dados, os lados que separam meus órgãos do mar aberto, me misturo nessa coisa só, imunda e gostosa que é o restante do mundo. Meses depois me fazes na tua gestação. Saio do parto, renasço, cresço, disparo, mal tenho tempo de agradecer teu orgasmo. Solto outra vez me vejo selvagem. Perco os dados e aposto no carteado minha próxima sorte, logo eu, que, desde reencarnado, sempre fui digital. Perco de novo, provavelmente roubado, com certeza idiota, abro o rumo que espero desbotar minha escuridão, minha noite. Arisco, mal te atropelo, saio cortado e remendado, respectivamente. A pressa inimiga me pega na contramão, erro repetido. Erro menos, contudo. Mutilado e multado, sim, porém me despeço, te deixo um beijo nas mãos, te declaro a devoção que te devia antes ter admitido. Doutra vez, no entanto, esperamos no ponto, nos passam os ônibus, são dois diferentes, certa hora vão cruzar avenidas opostas, o próximo só daqui uma hora, o meu já ensaia passar por fora, faço sinal, fazes sinal, o semáforo vermelho interrompe ambos, lado a lado, o que me causa uma taquicardia seguida de epifania. Rio, encontro o prumo, caem os lados, paredes de desespero que me separavam do universo completo e constantemente em expansão. Subo no veículo errado, que é o correto, que é o teu, te reencontro, me apresento, te acompanho, te peço desculpas, te abraço, te agradeço, obrigado.
domingo, 8 de março de 2015
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