domingo, 22 de março de 2015

Pontaria

Sei o que faço menos que a besta que morre intoxicada por máquinas alheias para me alimentar. Sei pouco e me sobra fome pois continuo a me empanturrar, cheio de dúvidas, das gorduras de ódio servidas em porções generosas, viciantes, todos os dias. Palavras pesadas me pesam o estômago e intensificam minha gastrite, congestionam minhas veias, me restringem o ar. A sintaxe do corpo está ciente de minha doença. Sei o que faço menos do que o inseto que escapa e consegue sobrevida quando eu erro-lhe o golpe que quisera eu ser fatal. Abraçaria estranhos na rua se ainda tivesse braços pra dar; estou mais para esta sombra embaçada expressada entre o asfalto e eu; o Sol é preciso e me é fiel nesta retratação; ao contrário de meu escuro perfil, queria estar presente completo na parte que me toca agora; mas estou desfocado! me falta algo antes, me sobra algo depois. Sei o que faço menos do que o deserto súbito bestializado pela sede. Porém sei mais do que aquele que tem absoluta certeza que na sabedoria ocidental reside esta cura.

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