─ "A lagartixa da cozinha sempre me assusta quando eu acendo a luz e a encontro, estabanada, no canto da pia ou do fogão. Mas, depois do susto, vem o alívio de ser apenas uma lagartixa e não algo pior. Algo pior como um jacaré, um escorpião, uma ratazana ou, pior: um representante da Unicef pedindo caridade como os da Sete de Setembro. Ou como uma Testemunha de Jeová. Enfim. Quantos sustos se tem nessa vida seguidos de alívios assim? "É só piolho" quando podia ser caspa. "É só gases" quando podia estar grávida. Quantas fogueiras, lampiões causaram pequenos infartos quando acesos? Quantos corpos pelados espalhados pelos cômodos? Quantos retratos redescobertos? Quantos espelhos indiscretos? Quantos objetos foragidos retornando, pródigos, às gavetas? E, numa tentativa desesperada pra nos salvar do espanto, quantas lâmpadas já se queimaram?"
─ Gostei, muito bom. Também não gosto de lagartixas
─ Obrigado, mas não era bem isso que eu/
─ Faz de novo?
─ O quê? Quer que eu leia de novo o text/
─ Nãaao, faz de novo aquele negócio que você fez agora pouco...
─ Tá.
─ Gostei, muito bom. Também não gosto de lagartixas
─ Obrigado, mas não era bem isso que eu/
─ Faz de novo?
─ O quê? Quer que eu leia de novo o text/
─ Nãaao, faz de novo aquele negócio que você fez agora pouco...
─ Tá.

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