Uma aranha pequena estava na parede do banheiro. Enquanto fazia minhas necessidades ela acabou me chamando atenção devido o seu ziguezague a caminho do vidro do box. Mais perto pude notar que ela era perneta ou o termo que valha para aracnídeos. Do original total de 8 patas, ela possuía apenas 5, dentre estas uma ainda me parecia comida pela metade. Comovi-me com a situação e tentei ajudá-la, tentando resgatá-la com um papel higiênico, sem ter a mínima ideia do que de fato eu viria a fazer depois disso. Quando se aproximava do papel, após desviar nas duas primeiras tentativas, ela subiu apressadamente pelo meu braço. Eu, assustado, com a outra mão a esmaguei. Era dessas aranhas de pernas magras, que só comem mosquito e seus próprios parentes, que normalmente não metem medo em ninguém. Agora, sob o sentimento fúnebre que me trouxe seu viscoso cadáver, entendo que ela era uma espécie especial de animal chamada "metáfora." Estas criaturas foram criadas por Deus para habitarem as casas dos seres humanos e os estimular a refletir sobre sua própria existência, reavaliar suas decisões e objetivos, passarem a amar mais quantitativa e qualitativamente melhor o seu próximo. Mas esta benção foi morta pelas minhas mãos, por conta de um susto qualquer. E eu ainda tive nojo de sua gosma fluída, lavando minha mão repetidas vezes, mesmo antes de encerrar minhas necessidades primárias. Toda minha intenção em resgatá-la de seu martírio se findou fútil e pretensiosa. Senti-me a caricatura viva do Renato Aragão em pessoa.
sábado, 28 de setembro de 2013
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