segunda-feira, 14 de julho de 2014

Esquizofrema

Vou decorar cada poema teu
Incluindo aqueles que nem você escreveu
Compasso teus sinais num repente
Tuas manchas da pele, tuas espinhas
Literais ou metáforas somente
Sepultadas ou minhas
Respectivamente.

Vou te ler as cartas da gaveta
Escritas ou não pra mim
Inconveniências, conversas
Rascunhos de fim
Rascunhos de sim
Vou te mandar notícias da guerra
Perdida no céu, perdida na terra.

Vais estar na ponta da minha língua
Com as palavras que precipício
Que se amarraram os pés no chão
Borradas de início
Quando ausente a saída
Ou quando ambas as mãos.

Vou te aguardar no primeiro ônibus da madrugada
No acinzentado dos olhos que mal dormiu noite passada
Na cerveja mais barata do bar.

Não faço mais que a minha maçã
Espalho cartazes pela cidade, meu todo lugar
Pra decorar tuas metades
(A esquizo e a sã).
Te minto isso tudo porque é verdade.

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