sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sonhos Recorrentes Dois

Sonhos recorrentes parte dois: dentes caindo, sempre. Me diziam quando era menor e supersticioso que isso era uma referência à morte. Já era pra ter tido uma guerra nuclear então a dizimar a humanidade, pela frequência que ocorrem e pela verossimilhança da sensação. Também sonho que vou ser preso, qualquer dia, saindo de casa pro trabalho, antes de fechar a porta, um oficial de justiça acompanhado pela Polícia Civil pedindo para que eu acompanhar até a delegacia para averiguações preventivas e de lá acabar emendando em Bangu 3. Enquanto me dirijo ao veículo, ele apaga um cigarro na sola do sapato e vê as horas no relógio da Central, que do ângulo da minha casa dá pra ver, simbolicamente, sempre 25 minutos atrasado. Mesmo me expondo cem vezes menos do que meus e minhas companheirxs atacados pelos órgãos de repressão do Estado, desde ano passado até agora, acontece. Dispenso o segundo sonho recorrente, deitado, e repudio, de pé. De medo, nestas noites, já me bastam os dentes caindo.

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