sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Adrenalina

Uma rampa, subida, descida, dando entrada para um hotel qualquer quase na esquina da Avenida Rio Branco. A pressa, a minha. Indo pela esquerda o caminho é reto e exige menos esforço. Pela rampa, na primeira etapa diagonal e avante, haverá mais esforço, o que haverá de retardar o movimento. Atravessaria o plano horizontal com a mesma velocidade que seguiria a distância equivalente no chão, no nível do mar. Contudo, na rampa diagonal abaixo, assumiria uma velocidade que, talvez, compensasse o esforço e o retardamento que tomei segundos antes durante minha ascensão. Qual dos dois caminhos é mais veloz? Acredito que tudo depende do quanto de atrito eu posso e preciso tomar ao escalar e descer as duas breves rampas. Caso escorregadias, provavelmente apenas me atrasaria de meu destino. Se irregulares, com pedras, tropeços, tais imprevistos igualariam este mesmo resultado. Caso fosse esta uma rampa maior que do que é realmente é, e eu subisse, digamos, 2 ou 3 metros acima, o esforço da subida me sugaria mais energia do que o necessário para empreitada de traçar esta distância. Sem contar que a igualmente longa rampa abaixo, para compensar o tempo desperdiçado pelo caminho reto ter sido evitado, me exigiria uma espalhafatosa corrida que assustaria os demais transeuntes, além do risco óbvio de, também, por este caminho, cair, me ferir, ser socorrido e chegar tarde no escritório, sendo ridicularizado pela história de fato caso houvesse a necessidade extrema de contá-la, perdendo o dia de trabalho, o que em si não é tragédia alguma, ou, na pior dos casos, não me ferindo o bastante para aplicar um atestado médico e ter que trabalhar com os ombros e joelhos ralados o restante do dia (não há enfermaria na firma onde labuto). 

A rampa é curta, a diferença da velocidade e do tempo economizado entre os dois caminhos deve ser mínima. Há certos riscos na vida que são ridículos e que devem e geralmente são tomados apenas por aqueles com pretensões, conscientes ou não, dos suicidas, como atravessar com um par de patins e dispensando passarelas qualquer altura sem engarrafamentos da Avenida Brasil. Já outros, naturalmente, apresentam riscos médios ou baixos. Neste dois segundos que tive para pensar este parágrafo e meio faltou me tempo de concluir quais das duas hipóteses de caminho me apresentava maior nível de periculosidade. A eminência da decisão me força a tomar uma decisão instintiva e contrariar meus cuidados racionais ao trato e dia a dia. Tomo a decisão mais impulsiva a qual posso ter lembrança: atravesso correndo ambas as rampas e, na descida, aproveitando o impulso, emendo num salto. Por sorte o sinal da avenida estava aberto e eu pude seguir adiante e evitar saber a reação dos que testemunharam minha façanha. 

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