terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Micro-poesia para Dispositivos Móveis: Cinco (ou "Rap Esfarelado")

Amor agudo, destroçado de entulhos? Entendo bem; de perna remendada em parafuso, de junta rangendo de esquecer de dar um passo! ou garganta enferrujada porque tem tempo que há passado e um canto não passa mais por suas paredes. De pressa entendemos bem, compreende?; barriga estufada de lixo; pânico; ossos pesados do cadáver de pé, preso no trânsito; um beijo acidental na saída do metrô apertado, uma saudade consensual do analista passado. A embocadura correta pra dar prazer ao sax e ao sexo. De afogamento entendo bem, o desvio de septo; o pulmão afogado no próprio suor que veio da testa de fora e escorreu pra dentro. Nestas frases que não dizemos todo dia, penso. A bala de mentos mentolada, momentos por três e quarenta, o corretivo, o escarro bem dado e pisado no chão do coletivo, a oportunidade perdida ou jamais dada no lamento de alguém pedindo grana e aceitando o cartão como forma de pagamento.

Oportunidades distantes como o terremoto que esperamos acontecer o ano inteiro: alastrar pro fundo do Oceano Atlântico esse estado do Rio de Janeiro. O Cristo Redentor e o Corcovado, novos turismos no arquipélago recém fundado. Entendo bem este teu queixo caído, cara. Catástrofes são a especialidade da casa.

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