De pé aqui no lotação. Com uma mão só e são mas sem tempo disponível pra pensar direito ou errado. Com um dedo só eu digo o que sair. Mais precisamente com o dedão, o polegar esquerdo: nem tão otimista assim; mas riste. Mesmo este ponto e vírgula agora me foi trabalhoso! Mas ele teima e vai presente e, veja só, apesar das circunstâncias, abuso dos apostos. Passei pra dizer, contudo, passei pra lhe dizer que o tempo passou e quanto mais ele passa menos tempo disponível nessa ampulheta de areia que é o interior dos nossos calçados: tanto pela morte que se aproxima pelo envelhecimento óbvio de quem fuma meio maço por dia quanto pelo espaço diário apertado deste eixo unidirecional que nos é concedido pra se viver propriamente o verbo viver. Tenho sua carta quase pronta e envelopada, falta o selo, falta uma agência dos Correios convenientemente no meu caminho. Essa semana estarei no Centro, daí quem sabe talvez. Será minha primeira carta, a trate com carinho! Respeite minha lamentável caligrafia pois raramente a uso. Pode me enviar por email as perguntas sobre o que quererá dizer esta letra ou aquela dentre uma palavra e a outra. Mas até seu endereço estará escrito à mão, eu juro. Resistirei a tentação de imprimir uma etiqueta no escritório. Falo-lhe de amor, comida, afazeres domésticos, doenças reais e fictícias que adquiri no final do ano passado. Confesso que sinto falta de meu nariz no seu pescoço. Escreverei-lhe um poema como este, quem sabe exatamente este, se eu tiver paciência barra tempo de torná-lo manuscrito também. Depois da idade me atingiu esta doença chamada prolixia Deu pra escrever a isto tudo por conta das obras no entorno da antiga Perimetral. Desço no próximo ponto, continuo depois mais este adorável desabafo sem testemunhas, intransitivo; ou dedicado, carente e ansioso, objeto direto. Pensando bem, preciso passar no hortifrúti (o corretor acaba de me sugerir esta inesperada grafia à palavra). Melhor ficar por aqui.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
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