Cujo gênero correlato pouco importa,
Se o verde, que quase toda erva de seus genes comporta,
Se o azul, como mancha na pele onde estava o soco, como a tinta na mão
(Evitamos nós três de citar o nome dos Céus em vão)
Se alguém de nós ainda acreditasse em cadernos,
De cada um de nossos confeitos mais modernos
Tempos outros, tantas cinzas queimaríamos, se menos fobia e mais filia
Como as fileiras que juraria purgatório, volver, palavras tivesse o dia,
Tempo de dizer, como a trema vingativa, extraditada do português
Ou fonema do francês cuja receita ninguém lhe corrigisse
"Ou os cigarros, exilados políticos de nossos banheiros públicos", disse
Ao se levantar ao toalete, abrir duas janelas, e se jogar de uma delas
Daqui a pouco, fellas, vocês hão de entender do que se trata
As palavras assim pela manhã, às 11 da madrugada
Engasgam os dedos dos pés, com os quais escrevo, de câimbra e ressaca
Aliás ainda as meias eu calço, é julho, inverno, cachecol, lençol, lã e chá
Dura pouco, estamos aos trópicos, a latitude, ausente piedade solar
Penso em fazer um café, relevanto, dou um pulo na cozinha e caio
Costas no chão, noto a fumaça no teto, vestígio de incêndio ou ensaio
A prateleira me lembra a esperança de um dia perder o trauma de vinagre
A cidade não cala nem consente, só nos falta acontecer um milagre
Esta imagem me vem pois avisto, de sua janela, o relógio, a Central
O bule ferve a tempo antes de me perder em outro espaço amostral
Voltando do térreo, com feridas mas em sobrevida
Amarrotada, amarrotado, como a página na qual garrancho, me disse, cheirando mais
("Uma paz das mais brancas ou a mais branca paz, aqui jaz")
Lendo em voz alta, de um papel inédito, em tonalidade comedida
Conforme sua alta concedida, a respectiva benção do analista
A introspectiva pronúncia hierografada que um médico lhe deu
No qual cá cremos como quem já creu em deuses, do Olimpo ou do Jazz
A porta batendo antes pelo vento
Depois por um intento de outro viés
Com aquela cara de choro, aquela cara de chuva pra mim
Grita perguntando se resta oxigênio naquela casa, respondo que sim
Continuamos, sem Gin:
(Recita-me, de pé, já na sala
Como se flutuasse em sua asa:)
"Quem entra e mata, mata além da paisagem
(Se há, esta é minha mensagem)
Captura além a fotografia do momento exato e do momento inútil
E mais,
Mata mais ardido que seu lamento, percevejo, pisado pela sorte fútil
Cuja morte lhe resta um, apenas um cheiro
Aquele, que nem o todo Rio de Janeiro desconversa..."
Sento-me na beira da cama, onde há outra travessa
Onde lhe pergunto gritando o livro favorito, cujos preços em negrito
Sento na cama e a percebo menos vazia do que estava há seis minutos
E me pergunto o intuito de lhe chamar cá pelo nome, Maria ou Mário
E me dou conta que sequer sei quando faz aniversário
E a poesia do momento é menos o Arpoador, o mar, do qual afastamos às milhas
(Seja lá quanto valem as milhas! Menos de avião do que da terra sou homem)
E mais este edema pulmonar do qual sarei, mas mal curei as mãos do vício
Do qual tabaco, cujo lugar, trago sem tragar a nicotina das suas cortinas, precipício.
Falta-nos o abraço num compasso e os calos de dançar valsa
Falta-nos a providência apocalíptica para nos amarrar a alma
Há certas tardes, entre julho e agosto, que nem um batuque de samba salva
Lembro que quem entra mata por fazê-lo, concordo: extingue de seu o corpo o fevereiro
Quem muda de assunto antes foge pra não morrer certeiro (Ou foge quem morreu primeiro?)O triste fim de quem procura mel em seu vespeiro
De quem tanto bem rima quanto ama mal
Que confunde noite com alvorada, e esta com intifada
Que chama reticência de ponto final
Retornado, ou retornada, do toalete, ela e ele, me perguntam onde estamos, e inclino noutro papel, doutro panfleto, meu avesso:
Arranharia-lhe o seguinte adereço:
"Mostra-me o que há de concreto
O obscuro eu omito, quieto
Quanto mais que o vulcão
Da sua pele em combustão
Permaneça submerso
N'O abismo em anexo."
Desisto e rasgo, antes, pelo ralo, expondo-lhe, ao invés e à mão, pois, sob o travesseiro
Os seguintes versos que viria encontrar duas madrugadas depois, que aqui reproduzo por inteiro:
"Apego, doença que dá e laça
Que dói e traça
Se decomponha comigo
Se a uva passa
Confio
A chuva fica
Sejamos um sulco só
Na árvore da vida
Pelo silêncio e pelo Sol,
Na poeira da terra, esculpida."

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