domingo, 3 de agosto de 2014

Monólogo em Areia e Dedo: Vinte e Seis (ou "Costa a Costa")

De costa a costa eu sinto sua falta. Eu que não sou de mar, nem ribeira, que evito as poças d'água. Te espero no ponto final de ônibus achando que isso é o porto que não é. Jogo oferendas pra Iemanjá no chafariz daquela praça embora eu seja ateu. De costa a costa estava esse resmungo se condensando no ar, até ser arrastado por uma frente fria. Te encontro breve em Itapuã, nas ondas de Piratininga que me deram mal jeito na coluna, que me enterraram tanta areia no ouvido, mas não o bastante porque ainda ouço aqueles aplausos cafonas no Arpoador. Eu que não sou de praia e já citei todas os mares que já vi, de costa a costa, me encontro afogado na sua saliva (que já secou). Na sua linguagem que me falta no chuveiro de manhã. 

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